sábado, 18 de novembro de 2017

LIGA DA JUSTIÇA (2017) : Ufa DC, ufa!!




Já dizia Marco Aurélio: “É melhor ser reto do que retificado”, e quem pode discordar do imperador e filósofo romano? Até porque, fazer o mea culpa e tentar recomeçar, ainda mais em tempos como os em que vivemos, onde um tropeço é o suficiente para uma enxurrada de críticas ou o total desprezo, não é nada fácil. Mas nem todos têm uma educação estoica como o nobre romano, não indo longe da mediocridade humana e nessa, penso que o oportuno refrão da música “Velocidade da luz” do grupo Revelação, onde se diz “... todo mundo erra sempre, todo mundo vai errar!” fale mais alto do que qualquer frase solta de velhas filosofias.

Foi com esse pequeno texto em mente, repetido a exaustão como um mantra, que entrei quinta (16/11) na sala de cinema para assistir a “LIGA DA JUSTIÇA”, o quinto filme do universo compartilhado da DC / Warner (terceiro dirigido por Zack Snyder) que, depois dos fracassos de crítica de “B x S” e “Esquadrão Suicida” chegou aos cinemas dia 15 de Novembro com a obrigação moral de, junto do sucesso de “Mulher-Maravilha”, redimir todo o projeto da DC e deixar claro aos fãs que, persistir em erros não é algo digno do sangue das amazonas, dos filhos de Krypton ou de cavaleiros das trevas.

O filme segue os acontecimentos explorados em “Batman vs Superman”. Depois da morte do homem de aço, Bruce Wayne, contando com a ajuda de Diana Prince, vai atrás dos indivíduos com habilidades especiais descobertos por Lex Luthor para ajuda-los a deter a invasão com a qual teve uma visão no filme anterior.  No entanto, enquanto o cavaleiro das trevas recruta com dificuldades Aquaman, Cyborg e Flash (esse nem tanto) para o seu time, um mal ancestral, invocado pelas caixas maternas (três relíquia alienígenas de posse dos Atlantes, Amazonas e humanos), desperta para conquistar a terra (UuuuuUU), devendo essa nova aliança a árdua missão de impedir o mal que cobiça o nosso mundo.

Não sei se foi o meu mantra, as refilmagens feitas por Joss Whedon ou simplesmente a ausência dos filtros sombrios de Zack Snyder, mas saí da sala de cinema bem mais satisfeito do que eu imaginava que sairia.  Pela segunda vez (dentro desse novo universo) a Warner conseguiu trazer um filme descente envolvendo os personagens da DC comics. O filme tem problemas? Sim, tem e falaremos deles mais abaixo, mas os mesmos conseguem ser diluídos naturalmente em meio a uma trama que foca mais em divertir do que tentar mostrar toda a amargura que repousa no coração dos heróis, como os filmes anteriores dirigidos por Snyder.


Para começar, gostei bastante da pegada mais cômica dessa produção, principalmente das cenas protagonizadas pelo Flash, que é interpretado por Ezra Miller (nunca critiquei) que, apesar de utilizar o nome do mais famoso flash (Barry Allen), trás uma versão do personagem para o cinema bem diferente da vista na série da CW, ao apresentar um mix dos “flashes” mais icônicos das HQ’s. No filme, Barry Allen, em uma versão bem mais jovem do que antes vista, lembra muito mais o leve e engraçado Wally West, sobrinho de Allen nos quadrinhos e que foi o flash depois da Crise nas infinitas terras (onde Barry morreu) ou até mesmo Bart Allen, o atrapalhado neto de Barry, que vem do futuro para aprender a usar seus poderes e que fez sucesso ao integrar a Justiça jovem junto com o terceiro Robin e o segundo Superboy nos anos noventa, do que o sério Barry Allen que eu acompanhava nos gibis publicados em formatinho nos anos oitenta aqui no Brasil. E é através dessa versão do Flash que somos apresentados ao novo ponto de vista do projeto da DC nos cinemas, muito mais colorido e menos amargurado, onde apesar do trauma inicial (teve a mãe assassinada quando era criança) o jovem herói ainda consegue se maravilhar com o mundo novo que se mostra a ele após conhecer Bruce Wayne (vide cena na Bat-caverna) e ter esperança na justiça, ao não desistir do pai que é acusado de assassinar sua mãe e que ele sabe que é inocente, assim como se arriscar para salvar outras pessoas, em meio a uma invasão alienígena, mesmo nunca tendo participado de uma batalha de verdade.

Outro ponto bacana do filme é o retorno do Superman (spoiler) e a nova personalidade que deram para o maior herói das HQ’s da DC. Depois de dois filmes mostrando um Clark Kent que beirava o egoísmo, para não dizer que o abraçava por completo, onde o mesmo, ou estava mais interessado em bater em Kryptonianos que olhavam torto para sua mãe ou para ele em “O homem de aço”, não se importando em destruir Smallville e Metrópolis no caminho, ou proteger quase exclusivamente seu interesse romântico, a onipresente Lois Lane em “B vs S”, agora ele finalmente lembra aquele “farol ético” que é capaz de conduzir a humanidade ou se sacrificar por ela  sem pensar duas vezes. Isso fica bem claro na sequência de batalha onde, após ouvir os apelos de pessoas que se encontram ao redor do lugar ameaçado, ele deixa seus novos super-amigos com a missão de vencer o grande vilão e parte para o resgate nos presenteando com uma sequência que é a cara daquele homem de aço das HQ’s, sendo tão heroica quanto cômica.




Sobre a Mulher-Maravilha há muito pouco para se falar, a não ser que ela continua tão maravilhosa quanto nos outros filmes onde apareceu para iluminar, ficando claro que, se o universo DC parece começar a funcionar, ela é a principal responsável. Vale também uma menção honrosa ao esforço que a produção fez e o sucesso que obteve ao dar carisma e relevância a alguém como o Aquaman, pois , com certeza, não é fácil colocar um personagem cujo poder mais famoso, depois de respirar em baixo da água, era falar com peixes, no nível de Mulher-Maravilha e Batman e, mesmo esse fato virando uma piada que é repetida duas vezes dentro do filme, suas cenas de batalha e presença, somados à alguns momentos de comédia (como quando eles estão indo para a batalha final e ele senta sobre o laço da verdade) fazem com que realmente nos importemos com o herói, fato que também serve para o Cyborg, que mesmo tendo menos carisma, surge na trama como chave para entender e “desligar” as caixas maternas, além de ter uma crescente sintonia com o Flash que pode ser a semente de uma parceria bem bacana no futuro.


No entanto, como eu disse acima, o filme também tem seus problemas e nenhum é, para mim, maior do que o Batman. Nas HQ’s, Bruce Wayne sempre teve sua inteligência, foco e força de vontade (além da habilidade física) como seu verdadeiro super poder (e não a riqueza) e estes eram controlados por uma seriedade que conseguia inspirar o respeito de todos, já em “Liga da Justiça”, apesar de não nos depararmos com um Batman assassino e descontrolado como o de “B vs S” novamente não temos a presença DO Homem-Morcego. Desta vez o que encontramos é um alívio cômico que serve de escada para toda sorte de piadas (quando elas não surgem dele mesmo), gaguejando e fazendo cara de susto a todo o momento e que, além de parecer fugir da liderança da equipe, repassando isso, uma hora para a Mulher-Maravilha e outra para o Super man, termina quase como o expectador da batalha final ao se encarregar dos vilões coadjuvantes (os para-demônios), não parecendo nem de longe, aquele super detetive, ninja, gênio e Bilionário dos gibis e sim um “Gavião-Arqueiro” de Luxo ou o Dedé dos trapalhões.

Outra coisa que não curti muito (Além das centenas de câmeras lentas durante o filme), foi a cena de batalha que é mostrada quando é explicado o que são as caixas maternas. Além de a explicação parecer uma história inventada na hora pela Mulher-Maravilha baseada em “O senhor dos anéis”, pois fala da união dos povos diferentes (trocando Elfos / Anões/ Humanos por Atlantes / Amazonas / Humanos) para destruir uma relíquia que dá poder a um inimigo e pode por um fim em tudo, a cena que se desenrola é muito artificial, com um CGI bem Playstation 4 e que mostra um monte de personagens que quase não dá para saber quem são, mal se identificando um Lanterna verde ali no meio (e que morre miseravelmente) e acaba sem dar as respostas que parecia prometer, deixando apenas a dúvida de quem eram aquelas pessoas com poderes e para onde foi o anel do lanterna morto.


Apesar dos pequenos problemas, “LIGA DA JUSTIÇA” é um bom e divertido filme, que consegue dar novos ares ao projeto da DC nos cinemas e exorcizar (até certo ponto) os erros de filmes como “O homem de Aço” e “Batman vs Superman”, em uma demonstração de que ser retificado, principalmente por Joss Whedon, é melhor do eu seguir sendo reto por Zack Snyder. Fica agora a missão da Warner de conseguir fazer o mesmo nos filmes de heróis menos conhecidos ou icônicos como o Cyborg, assim como retirar toda a carga caricata criada em personagens como Lex Luthor e Coringa, que tiveram aparições desastrosas em filmes anteriores do selo, mas isso é um problema para o futuro, por hora eu digo, dê uma chance a DC e assista “Liga da Justiça” e se não concordar com tudo que eu disse acima, me perdoe, porque “Todo mundo erra sempre, todo mundo vai errar” uma vez ou outra, mas as vezes acerta ... Snyder que o diga!



domingo, 12 de novembro de 2017

A MORTE TE DÁ PARABÉNS (2017)




       Ninguém quer viver na mesmice! É para fugir da rotina, que as pessoas mudam o corte de cabelo, pulam de paraquedas, viajam para lugares diferentes, experimentam novos sabores e fazem o que for preciso para ter em suas vidas a sensação de novidade sempre presente. Mas, se se sentir como estivesse trancado em uma rotina já é horrível, imagina ficar realmente preso para sempre no mesmo dia, e mais, ficar preso para sempre no PIOR dia de sua vida, a data de seu assassinato?! Pois essa é a trama central de “A morte te dá parabéns”, filme de fantasia /suspense/ terror dirigido por Chirstopher B. Landon ( “Como sobreviver a um ataque zumbi”), produzido pela blumhouse (a mesma de “Corra!”) e estrelado por ninguém muito importante, que me divertiu ao apresentar uma mistura de um dos temas que mais falei, com um dos que mais  fujo: loop temporal e terror.

   
A história é a seguinte, Tree é uma estudante universitária que tem sua simpatia, generosidade e empatia, inversamente proporcionais a sua popularidade, beleza e influência e, ela É muito bonita, popular e influente! Ou seja, Tree não é uma pessoa legal, e, todo esse amargor só cresce quando, após um porre na noite anterior, ela acorda, no dia de seu aniversário, totalmente desorientada na cama de um colega que mal conhece. Só que esse não será um aniversário comum, pois depois de sair do alojamento onde passou a noite e passar por mais um dia normal na universidade, trocando alfinetadas com a fútil líder de sua irmandade, desprezando os parabéns de sua melancólica colega de quarto, ridicularizando um ex-pretendente e visitando o trabalho de seu amante/ professor, Tree, ao sair para ir a mais uma noite de festa, se depara com uma estranha figura, trajando negro e uma máscara da mascote do time local e depois de uma perseguição ela é assassinada! Tudo poderia terminar para ela nesse exato momento, se sem entender nada, ela acordasse, novamente, na manhã de seu aniversário no quarto de seu colega para reviver o mesmo dia, restando a ela, depois de continuar, noite após noite, sendo assassinada de maneiras diferentes e voltando para manhã do mesmo dia, nada mais do que tentar entender o que está acontecendo e descobrir quem é seu assassino para assim quebrar o loop temporal.


     Achei a ideia do filme bem bacana! Misturar terror adolescente que remete a clássicos como “Pânico” e “Haloween” com um loop temporal que lembra  “feitiço do tempo”, “ARQ” e “No limite do amanhã”, consegue trazer algo novo para a tela, ao mesmo tempo que dá um frescor a ambos estilos já bem batidos, ganhando mais um aditivo  quando, após a protagonista aceitar seu destino, há um acréscimo de humor na trama e depois, uma pitada de drama, quando é descoberto que as múltiplas mortes de tree custam um preço alto para ela; sem contar que, no decorrer da história, quando a protagonista percebe que não é alguém de quem sua mãe poderia se orgulhar, acabamos nos rendendo a seu carisma e torcendo por ela.

      No entanto, apesar de sua boa ideia e de ser bem divertido, o filme perde um pouco do que poderia entregar por causa de sua montagem e escolhas de roteiro. O principal erro a meu ver, é a introdução de um assassino em série, famoso dentro do universo do filme, que surge para distrair a atenção da protagonista. Penso que nada teria de errado na presença do personagem na trama, caso ele  fossemos perfeitamente apresentado desde o início da história, no entanto, isso não acontece e , apenas prestando muita atenção em detalhes, como quando a TV do quarto da protagonista está ligado, ou quando ela está na lanchonete com Carter (o colega onde ela sempre acorda no quarto) é que vemos menções ao dito serial killer, o que não explica o fato de que ela tenha certeza de que é ele que está a matando dia após dia, a não ser que exista ainda um erro de montagem no filme e esse para mim é o segundo grande erro.

    Assistindo ao filme pela segunda vez (sim, eu estava com tempo) se percebe que ao apresentar fotos das vítimas do dito assassino, todas são loiras e bem parecidas com a protagonista, em especial uma que lembra a mãe de Tree, que aparece em flashbacks. Ou seja, pode-se entender que a mãe da protagonista foi morta pelo assassino e que, como é seu aniversário, e como ela diz, fazer aniversário no mesmo dia da mãe e o assassino estar na cidade, talvez, isso tenha algo a ver, mas parece que a montagem vacilou e  absolutamente nada em relação ao assassino, suas vítimas e porque ela acredita que ele é o responsável por tudo que está acontecendo à ela, é explicado.


     Então, sem querer me repetir, se você estiver a fim de matar um pouco da saudade dos filmes de terror dos anos oitenta e noventa, mas ao mesmo tempo quer algo que apresente uma coisa nova e fora da caixa mas sem ter a obrigação de pensar muito, assista a “A morte te dá parabéns” um filme que mesmo sendo meio repetitivo em si, com certeza não vai te prender na maior das mesmices. 



segunda-feira, 6 de novembro de 2017

THOR: RAGNAROK (2017) ou, Odinson no espaço



    Eu estou velho e cansado! Constatei isso essa semana, não só ao perceber que estava assistindo ao décimo sétimo filme da Marvel em nove anos de universo cinematográfico compartilhado da editora, como ao me sentir totalmente deslocado como público no que presenciei durante mais de duas horas no cinema. Sim! Hoje temos a missão de falar sobre o último e mais rypado filme de Odinson, o senhor do trovão, que caiu como um relâmpago nas salas de cinema no último dia vinte e seis, agradando a grande maioria do público, mas que, embora não tenha me decepcionado como os filmes da concorrente, me acertou como um martelo mágico quanto a qualquer expectativa de novidade nos filmes futuros da Marvel. Então, com vocês: "Thor: Ragnarok"!

  

  Dirigido por Taika Waititi e estrelado por Chris Hemsworth (Thor), Tom Hoddlestone (Loki), Kate Blanchett (Hela) e mais uma monte de gente bonita, elegante e sincera, "Thor: Ragnarok" narra os acontecimentos que se seguiram com o protagonista após suas visões em "Vingadores: a Era de Ultron", onde, ao perceber um grande mal se aproximando de sua terra natal e, imaginando se tratar do Ragnarok (o apocalipse asgardiano) ele vai buscar impedir sua realização. Em meio a essa busca, seu pai , Odin, morre, mas antes de partir (para lá-sei-eu, um deus nórdico vai depois de morto) revela que possui uma filha mais velha (Hela, a deusa da morte) muito mais poderosa que ele próprio e que sua morte a libertará. Mal o deus ancião bate as botas e a sujeita já aparece reivindicando o trono de Asgard, destruindo o martelo do herói e chutando (literalmente) os dois irmãos (Thor e Loki) para o planeta Sakaar, um lugar de caos e selvageria, comandado pelo insano Grão Mestre (Jeff Goldblum), onde Thor irá se deparar com uma amargurada última Valquíria e com um ex-aliado, o Hulk, agora o campeão do insano ditador de Sakaar em sua arena. Resta ao desmartelado deus do trovão a inglória missão de juntar forças para escapar das garras do grão mestre e retornar a Asgard antes que a profecia se cumpra e seu planeta seja destruído.

       Como dito acima, o filme está longe de ser ruim, mas não passa nem perto da expectativa que gerou quando o cabeça do estúdio, Kevin Feige veio a público dizer que a trama de “Ragnarok” seria um ponto de virada do universo Marvel nos cinemas, muito pelo contrário, ao invés de outros rumos e visão, em seus cento e vinte e oito minutos de duração, o novo filme do Odinson oscila entre uma cópia de “Guardiões da Galáxia” e um reboot do personagem no estilo do novo “Homem-Aranha”, entregando mais uma grande aventura para toda família que não foge em nada da velha fórmula Marvel.




      Essa mesmice foi o que me jogou na cara a minha idade e me deixou deslocado enquanto eu assistia a produção, os filmes do estúdio não são mais para mim. Parece que depois de quase dez anos a rotina da fórmula Marvel (que mesmo assim é infinitamente melhor que o veneno da DC) começou a se mostrar desgastada para quem, como eu, acompanhou suas produções até aqui, o que só piorou depois do sucesso de “Guardiões da Galáxia” de 2014, e, esse terceiro filme do Thor é o maior exemplo até aqui. Parece que o estúdio aceitou que o personagem nunca foi o mais bem quisto do seu panteão e realmente rebootou o personagem com a franquia andando, pois nem o clima e nenhum personagem presente nessa nova trama, exceto talvez Heindall (Idris Elba) parece ser o mesmo dos filmes anteriores.

      
Se é pra Rir, vamos rir!
Nota-se o que falei acima, já na primeira cena do longa, onde vemos o protagonista preso em uma cela dentro da masmorra de Surtur, fazendo várias piadas para seu antagonista e essas situações cômicas vão se repetindo durante todo filme, como quando ameaçam cortar o cabelo do filho de Odin e ele implora como uma criança para que não o façam, ou quando encontra o Hulk pela primeira vez e tem um acesso de felicidade, chegando a mostrar o gigante esmeralda para o irmão Loki, que assiste a tudo de camarote, em cenas muito divertidas, mas que não conversam com os personagens apresentados nos dois primeiros filmes, me especial com o protagonista, que, embora tivesse doses de humor, tinha a arrogância pontual de um deus e a responsabilidade de um príncipe-herói, algo que não encontramos aqui. O mesmo se dá com Loki, que desde sua participação em “Vingadores” de 2012, se tornou um destaque maior que seu irmão e o queridinho dos fãs, tanto que  agora, sua personalidade traiçoeira acaba servido apenas para que ao final ele se arrependa e se torne também um herói, no pior estilo fan service.

 
Hela -  Uma Deusa, uma louca, uma feiticeira
  Mas embora as novas facetas dos personagens e a quebra de clima de um filme para outro me incomodaram um pouco, tem muita coisa bacana em “Thor: Ragnarok”, começando pela maravilhosa deusa Hela. Kate Blanchett está realmente divina como a deusa da morte e tenho que confessar que cheguei a torcer por ela após sua chega em Asgard e a sequência de pancadaria fodástica entre ela e o exército do lugar; assim como quando ela mostra que Odin encobriu (literalmente) que só conseguiu chegar onde chegou com sua ajuda e através da força. No entanto, deveriam ter dado um propósito maior a personagem, pois apenas dominar por dominar e destruir por destruir, acaba a transformando em apenas mais um vilão genérico, embora não totalmente esquecível de um universo já famoso por seus vilões pouco carismáticos.

    Outra coisa bacana é o planeta Sakaar e sua sociedade totalmente caótica. Começando por seu líder, o Grão Mestre interpretado por Jeff Goldblum que proporciona alguma das cenas mais engraçadas e malucas da história, como quando ele derrete seu primo por tentar fugir ou quando Bruce Banner aperta um botão da nave que os heróis roubam para fugir e surge um holograma com Goldblum cantando. Também é em Sakaar é que conhecemos a última Valquíria, interpretada pela gatíssima Tessa Thompson, que tem muito mais química com o deus do trovão do que a sensível Dra. Jane Foster, assim como a nova versão falante e sentimental do Incrível Hulk , sem contar com a trupe de gladiadores mais maluca do universo.


     Bom , “Thor Ragnarok” é um filme divertido, leve e que não muda NADA dentro do universo Marvel. . Me jogou na cara que o tempo de apresentar histórias voltadas para os fãs por parte do estúdio já passou e que agora, mais do que nunca, só a grana interessa e esse retorno financeiro será buscado a qualquer custo, mesmo que seja rebootando a franquia andando. Mas apesar dos pesares, o filme é  uma produção que vale a pena ser assistida e que embora fale sobre o fim de mundo causado por uma deusa da morte e onde os heróis fogem de sua prisão através de um portal chamado “Anus do demônio”, é um ótimo programa para levar toda a família para apenas desligar o cérebro e dar boas risadas.



domingo, 29 de outubro de 2017

ROOM 104 - (2017) quando um mundo cabe em um quarto.




   Ah, o planeta Terra! 510.100.000 km de área que servem como palco pra tudo a que se refere o fenômeno humano. Da descoberta do fogo a construção da primeira nave espacial, das guerras por comida entre tribos ao debate sobre a futura escassez de água, tudo ocorreu e ocorre em um único palco de infinitas possibilidades, o nosso pálido ponto azul! Mas, e se reduzíssemos ao extremo a escala desse palco? 

   Pois contar uma infinidade de histórias, tendo um único e pequeno palco é a ideia central de  “Room 104”, série criada e produzida pelos Irmãos Duplass (de “tranparent” e “Togetherness” (duas séries que nunca vi)), que passou meio em branco pela HBO nesse ano onde se confirmou que Jon Snow é um Targaryen (ops!) e que acabei descobrindo muito sem querer, mas que me trouxe uma surpresa tão agradável, como encontrar uma nota de 20 Reais solta no bolso de uma calça.    




   
   “Room 104” é uma série antológica que a cada episódio apresenta uma história diferente, seja no que se refere aos personagens, tema, estilo ou período histórico, tendo como único fio que conecta todas essas histórias, o palco onde elas são contadas, ou seja, o quarto número 104 de um hotel qualquer. Nesse universo de infinidades, somos apresentados histórias de terror, suspense, sobrenaturais, dramáticas e até a números de dança, com cada história sendo protagonizada por nomes conhecidos (ou nem tanto assim) do cinema, como Orlando Jones (American Gods), Nat Wolff (Dead Note), Melonie Diaz (the Belko Experiment) e Clark Duke (Kick-Ass) em uma história mais maluca que a outra e que merecem ser vistas ainda HOJE.

EP 3 :"The Knockandoo"
   Dessas histórias malucas, gostaria de citar, só para dar um gostinho, mas sem contar muito do que acontece, duas que prenderam minha atenção um pouco mais, tanto pelo clima que criam durante o desenrolar de cada trama, quanto ao final inesperado de ambos os episódios, que são os episódios 2 e 3, respectivamente intitulados de “Pizza boy” e “The Knockandoo”. 
 
“Pizza Boy”, que é estrelado por Clark Duke e conta com a participação de James van der Beek (o Dawson de “Dawson’s Creek”) e Davie-Blue, apresenta a desventura de um entregador, que se depara com um estranho casal ao entregar uma pizza no quarto 104, onde um marido empolgado e teatral deixa o rapaz cheio de incertezas, ao abandoná-lo sozinho com sua sensual e carente esposa.  O episódio me ganhou por sua crescente de tensão, que chega a seu ápice, quando o marido retorna, trazendo o dinheiro da pizza, insegurança e violência, em uma situação que só é superada pelo final totalmente inesperado que o episódio tem.

 
Pizza Boy
Já “
The Knockandoo”, traz Sameerah Luqmaan-Harris como uma mulher cheia de problemas e traumas que vê sua entrada em uma seita como a solução de seus problemas e fim de suas dores, para isso ela solicita a visita, no quarto 104, onde está hospedada, de um missionário (Orlando Jones ) que a ajudará em sua “Transcendência”. Nessa história o que mais gostei foi o clima, onde após uma preliminar de drama  que beira à denúncia contra seitas religiosas, somos lentamente mergulhados em um clima de suspense sobrenatural que lembra, de forma sutil, os contos do “Rei de amarelo” de Robert W. Chambers, fato que é coroado por um final que flutua entre Lovecraft e Monty Python.

     Achei a série bem legal, embora alguns episódios não tenham passado na minha regra de dez minutos ( vejo 10 minutos, se não me prender eu salto fora), talvez por não se enquadrarem nos estilos que mais gosto, o que vendo por outro ângulo, é mais uma vantagem da produção, pois trabalhando com todos os estilos, vai prender o espectador em pelo menos uma história. Outra vantagem, é que cada episódio não chega a trinta minutos, o que dá agilidade a forma como a história é contada, não dando tempo de a trama criar barriga e aliviando quem , assim como eu, não aguenta mais series arrastadas que te comem uma hora sem precisar.


    Então, se você tem pouco tempo e quer ver algo diferente, ou se apenas quer assistir uma série meio maluca, mas muita legal onde cada episódio conta uma história totalmente diferente em estilo, trama, tempo e circunstância; fica aí então a minha dica, doze episódios de menos de trinta minutos que com certeza vão te conquistar através de uma história ou outra em uma produção que mostra que um mundo pode caber dentro de um quarto. 




sábado, 21 de outubro de 2017

ELECTRIC DREAMS (2017) - a série antológica de Philip K. Dick



Final de ano não é fácil meu amigo! Eu que elegi o setembro como meu mês de apocalipse, acreditava que o outubro seria mais tranquilo, mas aí começou o ciclo de férias de meus colegas e meu trabalho duplicou, vendi meu carro e não consegui transferir devido à burocracia do banco e, nem mesmo “Blade Runner 2049” consegui assistir no cinema! Mas tudo isso são “White man’s problems”, (mesmo eu não sendo branco!) e como já faz tempo que sigo a máxima de Confucio de que “Se o mundo está de pernas para o ar, queixo pra cima”, resolvi desencanar e dar uma relaxada. Foi quando fui surpreendido por um presente entregue pela emissora inglesa Channel 4, a todos fãs de Philip K. Dick, a produção “Electric Dreams”, uma série antológica onde cada episódio é baseado em um conto do autor e que mudou o status do meu mês de “tem que melhorar”, para “nada mau”!

A Série, que contará (pois no momento que escrevo se encontra na metade) com dez episódios em sua primeira temporada, estreou no canal inglês nesse último dia 17 de Setembro e traz em seu elenco grandes nomes do cinema para dar vida aos personagens imaginados por Dick, como Benedict Wong (“Dr. Estranho”), Steve Buscemi (Cães de aluguel), Terrence Howard (Homem de Ferro), Bryan Cranston (Breaking Bad), Vera Farmiga (Invocação do Mal) entre muitos outros atores e atrizes que, somados a diretores conhecidos do publico gringo, dão peso a produção da terra da rainha.

Até o momento assisti aos quatro primeiros episódios e o que posso dizer é que a série consegue adaptar com bastante competência todos os conceitos, questionamentos e estranheza que marcam as obras de Philip K. Dick, com a vantagem de ainda possuir todo charme das séries inglesas, que sempre me pareceram menos voltadas para efeitos especiais mirabolantes e mais inclinadas para o roteiro e realização da história.

Sobre esse peculiar clima inglês presente na série, o próprio canal responsável pela obra carrega uma grande parcela do crédito. Já calejada em produções de sucesso, como a minissérie de terror “Dead Set” e sendo quem transmitiu originalmente as duas primeiras temporadas da aclamada “Black Mirror” (ambas as obras de Charlie Brooker), o Channel 4 segue levando ao público um conteúdo que atende as expectativas de quem é fã de ficção científica ou de realidades fantásticas, mas sem perder aquele clima melancólico e acinzentado da Inglaterra e que parecem aproximar as situações mais absurdas com a realidade.

Mas chega de falar de produção e vamos ao que interessa: As histórias.




Como eu disse acima, a série segue o tom dos questionamentos que pautaram toda a obra de Dick, como sua dúvida sobre o que é a realidade, o que nos torna humanos e nossa evolução como espécie, só que de uma maneira muito mais fiel à obra do escritor do que qualquer outra adaptação fez anteriormente, pois embora muitos dos contos e livros de PKD tenham sido levados para o cinema (o próprio Blade Runner é o maior exemplo) muito se utilizou do conceito, mas quase nada teve daquele espirito psicodélico que mesclava o quase absurdo (dê uma olhadinha no livro UBIK) com visões de um futuro não muito otimista e dúvidas humanas, coisa que essa antologia fica muito mais próxima, o que agrada muito a quem é fã, mas pode causar um estranhamento a quem só conhece o escritor por suas adaptações cinematográficas.

Steve Buscemi, como Ed
Nesse contexto de estranheza, nenhum episódio que assisti vence o intitulado “Crazy Diamond”. A história se passa em uma realidade onde tudo que é orgânico começou a se degradar e apodrecer, tanto a comida, como a própria terra e até mesmo as pessoas, parecem caminhar em passos rápidos para a entropia, mas a ciência ainda busca uma solução, então se criam as “Consciências Quânticas” (Os CQ), uma espécie de “pilha genética” baseada nos genes de porcos, que revitaliza aqueles que começaram a falhar, em uma ideia de mundo que lembra, também, o que o autor apresenta no livro UBIK, só que nesse conto não se encontra dentro de um sonho de “meia vida”, mas na realidade. Nesse Universo conhecemos Ed (Steve Buscemi), um cientista especialista em CQ que sonha em fugir do mundo em deterioração em uma viagem pelo mar, junto com sua esposa, até uma distante ilha onde ainda reina a normalidade; só que o aparecimento de uma mulher misteriosa o acaba prendendo a uma trama que envolve conspiração, contrabando e traição.


Robô RB29, do ep: "Planeta impossível"
Outro que chamou minha atenção, justamente por ser o contrário do comentado acima por ser muito mais pé no chão (dentro do que alcança o autor) foi o episódio “The Commuter”, que longe de falar de tecnologia ou futuro, se passa nos dias de hoje e aborda dimensões paralelas. Nessa história, o ator inglês Timothy Spall vive Ed (também) um funcionário de uma estação de trem, que vive um momento familiar difícil, com crises constantes de seu filho que sofre de bipolaridade e o afastamento visível de sua mulher; é quando em seu trabalho uma passageira lhe pede uma passagem para uma estação que não consta nos mapas ou registros e simplesmente desaparece; intrigado ele resolve pegar o trem e investigar, chegando um uma misteriosa cidade no meio do nada, aonde a felicidade e paz chegam a perturbá-lo. Chegando em casa, tudo está mudado, não há registros do nascimento de seu filho e sua mulher está muito mais próxima e amorosa, como se uma nova linha de tempo fosse formada, mas dia após dia, Ed vai sentindo que algo está faltando e resolve voltar a cidade, percebendo que o dia que vivenciou lá parece se repetir e que aquela felicidade toda, talvez não valha a fuga da realidade.

Gostei bastante dos episódios que assisti. O estilo puro de Philip K. Dick, abordando o futuro, dimensões paralelas, inteligência artificial, sem negar os questionamentos humanos, misturado com o estilo inglês de produzir TV, que além do clima britânico que transmite todo um ar de melancólico ainda brinca com as cores, dando mais tons pastel quanto mais imaginativa e estranha é a situação, conseguiu me segurar até o final de cada episódio.

 Então, se você quiser mergulhar em um universo baseado na mente brilhante de um dos grandes nomes da ficção científica e que mudou o status do meu mês, assista a “Electric Dreams” e dê uma chance para toda maravilha e estranheza que são frutos da Obra de Philip K. Dick.


Fica a dica.


quinta-feira, 12 de outubro de 2017

"GUERRA DO VELHO" de John Scalzi

   


    A vida é uma guerra onde, ano após ano, vamos sendo expostos a todo tipo de atrocidades e frustrações. É nela onde criamos laços com outros como nós, mas logo nos habituamos a perdê-los e, se temos sorte, chegamos ao final da última batalha com boas histórias, alguns arrependimentos e muita saudade. Mas, e se aos setenta e cinco anos, tivéssemos uma nova chance de começar do zero, nos atirando as cegas em uma viagem sem volta, onde a única certeza é uma nova vida com muito mais aventura e violência, você toparia?
     O “E porque não?!” para essa questão, é o que dá início a trama de  “guerra do Velho”, livro do escritor John Scalzi, publicado no Brasil pela editora Aleph e que, como uma rajada de MU-35, chegou para quebra meu hiato para falar sobre o que eu mais gosto: ficção científica.

    O livro conta a história de um futuro onde a raça humana chegou à era das viagens interestelares e passou a colonizar diversos planetas, tendo contato com outras civilizações, das quais muitas hostis. É nesse universo que conhecemos John Perry, um publicitário aposentado e viúvo de 75 anos, que se alista nas forças coloniais de defesa (FCD) e parte para o espaço em uma viagem sem retorno para defender nossas colônias, sem imaginar quantos terrores e maravilhas presenciaria após sua última decisão no planeta Terra.


   
Edição da Apleph
Gostei bastante do livro, mas tenho que confessar que minha primeira impressão da história foi negativa e se estendeu assim quase até a metade da trama. Algumas das coisas me desagradaram foram, as muitas semelhanças com “Tropas Estelares” de Robert A. Heinlein e a mentalidade extremamente aberta e “pra frentex” de senhoras e senhores de 75 anos, mas superei a primeira ao focar mais nas diferenças entre as histórias dos autores do que suas semelhanças e a segunda me colocando no exato lugar do protagonista e seu grupo de amigos, que receberam ao final da vida uma nova chance de se aventurar e conhecer coisas novas, em uma situação como esta, se apegar a preconceitos e costumes do passado, não melhoraria a vida nova de ninguém.

   Mas a coisa que mais me desagradou, foi o fato de que tudo acontecia de maneira extremamente perfeita para o protagonista; ele é o cara mais simpático e agradável do mundo e que acaba se cercando dos velhinhos mais bacanas, inteligentes e descolados já na viagem até a nave que os levará ao lugar de seu treinamento; após as melhorias nos corpos dos recrutas (das quais falaremos adiante) é ele quem pega a recruta mais gostosona, é ele quem vira o queridinho do sargento que os treina e que, por isso, é eleito líder de pelotão, é ele quem, em sua primeira batalha, descobre como vencer os inimigos mais perigosos das FCD, é tudo muito perfeito... Aí eu me toquei que o livro é narrado em primeira pessoa e que o protagonista é publicitário, ou seja, ele estava colocando um pouco de “tempero” em si mesmo para se vender como o maior herói que já existiu, em um detalhe tão sutil e brilhante de Scalzi, que mudou minha percepção da história após eu nota-lo.

   



Mas fora esses desagrados iniciais com o livro, “Guerra do Velho” apresenta conceitos muito bacanas e sua história vai crescendo em uma medida tão acertada, que se torna bem difícil para um fã de ficção científica se decepcionar com o que o autor apresentou ao final das trezentos e sessenta páginas. Para começar temos toda a ideia de tecnologia das FCD, começando com a resposta para, como alguém consegue lutar em uma guerra, após os 75 anos de idade? Pois bem, no universo do livro, a raça humana teve contato com outras raças a quase um século e com isso, acesso a muitas tecnologias que se tornaram segredos das colônias, uma dessas tecnologias, é a transferência de consciência e é isso que possibilita a ida dos recrutas à guerra.  Na história, quando se chega aos 65 anos de idade, a pessoa decide se quer fazer parte das FCD dez anos mais tarde e nisso, vários testes são realizados e amostra de sangue e pele retirados, o que os futuros soldados desconhecem (pois nenhum cidadão da terra sabe nada do que ocorre nas colônias) é que um novo corpo, repleto de alterações e melhorias, vai sendo maturado e deixado a sua espera, para quando este  resolver de uma vez sair de seu planeta natal. E o corpo é incrível! Com olhos de Gato para enxergar melhor na penumbra, com corpo na melhor forma atlética possível, com sangue que transporta mais oxigênio e coagula mais rápido para evitar hemorragia, um computador e assistente pessoal instalado no cérebro e uma pele verde rica em clorofila para ajudar a obtenção de energia.

   
Scalzi
 Mas o que mais me agradou foram os conceitos referentes aos alienígenas que as FCD vão de encontro para garantir a segurança dos colonos Terráqueos no universo. Os primeiros a aparecer em batalha e grandes rivais misteriosos da humanidade, são os aliens conhecidos como “Consus”, uma raça extremamente avançada e detentora de tecnologias infinitamente a frente das que aparecem no livro, mas que se limita a ir a campo de batalha com as armas no mesmo nível dos rivais que encontram. Sua aparência é descrita como semelhante a de um inseto meio humano, com quatro braços, sendo que os de cima são duas lâminas extremamente afiadas que eles também utilizam como arma e suas entradas nos planetas são sempre realizadas com rituais e cerimônias, tornando as intensões e razões desses inimigos misteriosas. Também temos os Covandus, seres humanoides de algumas polegadas, que conseguem um relativo sucesso contra a raça humana utilizando sua força aérea em miniatura, ou o misterioso fungo da colônia 622, uma entidade coletiva inteligente que dominava o planeta e que esperou o momento oportuno de atacar e matar todos os colonos adentrando pelas vias aéreas dos coitados e excretando ácido em seus pulmões, fato que faz com que a raça humana desista do planeta em questão, ou ainda os antropófagos Rraeys, criaturas de características que lembram aves e que enxergam na raça humana uma iguaria sem igual; são estes últimos os responsáveis pelo massacre do planeta Coral, o ponto de virada do livro e que dá início a uma sequência de batalhas e lutas que alavancam a trama com muita ação.


   Pois bem, Eu poderia escrever parágrafos e mais parágrafos sobre o livro, citando a relação do protagonista com seus amigos, seu crescimento dentro das FCD, explorando a possível ditadura e, quem sabe, distopia por de trás do governo colonial, ou simplesmente falando sobre as “Brigadas Fantasmas” o time de elite das FCD, mas como na maioria dos livros que resenho, não fiz questão de me aprofundar para que quem conhecer por aqui e se interessar pela obra, não tenha suas expectativas totalmente estragadas por esse texto. Deixo aqui só a certeza de que "Guerra do velho” é um livro divertido e que apresenta um universo extremamente interessante e para quem, assim como eu, se incomodar com um protagonista que não erra, digo para ter paciência; para quem enxergar semelhanças com outras obras, calma, há muito mais originalidade do que homenagens. Faça então como os recrutas da FCD e deixe de ser velho leia a obra de John Scalzi e mergulhe em uma viagem sem volta repleta de aventura, ação e violência, tal qual as batalhas da vida, mas com garantia de muito mais diversão do que frustrações.


domingo, 24 de setembro de 2017

EXTINCTION (Apocalipse (2015))


     Como dito no post anterior, o mês de setembro, para mim, é quando tudo que tem que dar errado, se concretiza. No entanto, nesse ano não foi só para a minha pessoa que setembro foi terrível, pois, depois de quatro furacões, três terremotos e de um esboço de guerra nuclear entre EUA e Coréia do Norte, descobri que o mundo poderia ter acabado na data de ontem (23/09/17) ao colidir com o planeta Nibiru (que deve ser o planeta natal do ET Bilu). Mas, por mais sorte do que juízo, o planeta vagante nos deu um bolo e a terra ganhou mais alguns anos para agonizar na mão dos humanos e, para comemorar, resolvi procurar por um filme que me transmitisse todo espirito desse bendito mês que parece que não tem fim.

  
Foi assim que encontrei “Extinction” (2015), ou como ficou chamado aqui na terra do mico-Leão dourado, “Apocalipse”; produção roteirizada e dirigida por Miguel Angel Vivás, que apresenta um mundo, onde uma infecção transformou grande parte da população em criaturas raivosas e antropófagas (para não dizer zumbis), mas onde a raça humana conseguiu se organizar e arranjou uma maneira de exterminar os monstros,  reduzindo a temperatura do planeta até níveis árticos e assim despachando os mortos-vivos por congelamento. É nesse mundo, nove anos depois desse extremo, que encontramos Patrick (Mathew Fox (de Lost)), Jack (Jeffrey Donovan) e sua filha Lu, as últimas três pessoas vivas da cidade de Harmony, que, por problemas do passado não se falam, mas são obrigados a unir forças quando uma nova raça dos monstros surge depois de anos, agora adaptada para o frio e muito mais mortal.

    Olha, o filme não é a melhor coisa que vi nesses últimos tempos, mas também não é a pior. A trama é uma mistura de “Eusou a lenda” ( Do will Smith e não do livro), com elementos de “A noite dos mortos vivos” (Do Tom Savini, não do Romero) e dentro do que se propõem, consegue funcionar de certa forma trazendo o sentimento de solidão do primeiro filme  citado acima, ao apresentar a rotina de Patrick, que depois de nove anos sozinho, não age diferente do personagem interpretado pelo sobrinho preferido do Tio Phil, falando sozinho, sendo metódico em seus horários e na busca por mantimentos e mesmo adotando um cachorro como melhor amigo e confidente. Já Jack e sua filha Lu, são a síntese do isolamento e do medo do que pode estar rondando a casa, maravilhosamente bem desenvolvido por George Romero no clássico de 1968 e homenageado por Tom Savini em 1991.




   Misturando em si a essência de duas boas e conhecidas histórias, o filme garante alguns sustos e cenas tensas, em grande parte pelo elenco reduzido, que facilita com que o espectador se importe com cada um desses poucos sobreviventes , nisso a jovem atriz Quinn McColgan, que interpreta Lu, consegue se destacar ao transmitir (com a ajuda do roteiro) toda a ingenuidade de uma criança que nasceu em uma sociedade destruída e cresceu apenas na companhia do pai.


  
Lu ,Jack e Patrick
Só que o mesmo roteiro que nos faz acreditar em uma menina de nove anos,  nos deixa confusos quando ignora o que houve com aquela sociedade e em especial, como diabos eles conseguiram baixar  a temperatura do planeta?? pois eu assisti ao filme duas vezes e se foi dito, me escapou totalmente (Talvez seja uma consequência do inverno nuclear depois da guerra  EUA x Coreia do Norte). Da mesma forma, a produção toma algumas decisões e depois desiste das mesmas sem mais nem mesmo, como quando o personagem de Jack parece estar enlouquecendo e uma voz começa a influencia-lo, vinda de seu aparelho de rádio amador  dizendo para que ele não aceite mais desaforos do vizinho Jack, o que é ignorado sem mais nem menos antes da metade do filme. Soma-se ainda a isso algumas conveniências de roteiro, como o fato de os protagonistas só conseguirem contato com outros grupos de sobreviventes, 9 anos após o isolamento e justamente quando a nova raça de zumbis começa a surgir; mas se não existissem certas conveniências na trama (assim como na vida) a história não se moveria, então é possível ligar a suspensão de descrença e deixar o filme seguir.



   Pois bem, "Extinction" foi a descoberta mais acertada para representar o meu mês de Apocalipse. Um filme mediano, que conta o drama de dois ex-amigos que no meio de um apocalipse Zumbi e com o planeta congelando, se isolam em suas casas remoendo as dores do passado enquanto o mal lá fora só cresce. Uma produção que mesmo com pouca grana e com muitos clichês, consegue ser competente (embora por vezes arrastado) em criar um clima de tensão, solidão e mostrar que, mesmo nas situações extremas, os problemas de relacionamento ainda são os mais difíceis de resolver. Então, se assim como eu, você teve um mês daqueles que lembra lembra um filme de terror, assista a "Extintion" (ou Apocalipse), um filme muito mais divertido e bem menos aterrorizante do que um mundo com quatro furacões, três terremotos e um mês de setembro de quarenta dias.

   





sexta-feira, 22 de setembro de 2017

TURBO KID (2015)




     Todo ano nessa época é igual, um clico parece se fechar e tudo que pode dar errado na minha vida, realmente dá. Tanto que, intimamente, eu costumo chamar Setembro de “o mês do Apocalipse”. No entanto, esse ano decidir não me abalar muito e celebrar o mês de tumultuo com uma temporada de filmes que tem tudo a ver com ele, ou seja, destruição, caos, estranheza e ...apocalipse.

    E para dar uma melhorada na energia, hoje vou falar sobre um filme que oscila entre a comédia e o Gore de maneira despretensiosa e que descobri muito sem querer no catálogo daquele serviço de streaming famoso, que adora estragar adaptações de mangás e do defensor de Kunlun, trata-se de “TURBO KID”, filme canadense de 2015, escrito e dirigido por Anouk Whissel, François Simard e Yoann-Karl Whissel; e, estrelado por Munro Chambers e Laurence Leboeuf , todas pessoa que nunca havia ouvido falar antes e que duvido que ouvirei novamente.

   
O Filme conta a história de um garoto (Chambers) que vive sozinho em um mundo pós-apocalíptico. Ele é fã de quadrinhos, em especial de um personagem chamado “Turbo Rider” e sobrevive catando e revendendo quinquilharias no mercado que se organizou após o fim da sociedade. No retorno de uma dessas vendas, que ele conhece Apple (Laurence Leboeuf), uma estranha e animada garota, com quem vai nutrir algo mais que uma amizade. Mas em mundo onde a sobrevivência fala mais alto, a força é a única lei, então, em uma incursão pelo “lixão” (como denominam o que restou da cidade), Apple é capturada e levada até Zeus  (Michael Ironside) o chefe da gangue que domina o lugar; Porém, O Garoto vai descobrir que as histórias em quadrinhos que lia eram uma homenagem a um herói real, que morreu lutando contra a causa do apocalipse que os atingiu e, munido da maior arma de seu herói, o garoto se tornará Turbo Kid e partirá para resgatar Aplle e derrotar o Infame Zeus.

        Não se assuste se a sinopse do filme parece brega, realmente era para ser assim. “Turbo Kid” é uma homenagem despretensiosa ao cinema de baixo orçamento dos anos oitenta, sendo um dos primeiros a seguir a moda ditada pelos "Guardiões da Galáxia" (2014) de James Gunn, porém se assemelhando mais com os filmes anteriores do diretor, como "Super" e "Projeto Belko" devido a sua mistura de humor e ação visceral, do que com o milionário Blockbuster da Marvel studios. 



     Já no inicio do filme, quando somos apresentados ao universo da trama, temos um pequena mostra do que está por vir, quando depois de ouvirmos um narrador contar um pouco do que houve com a sociedade, recebemos o mórbido aviso “Bem vindos ao futuro, bem vindos a 1997”, como se filme fosse realmente uma produção oitentista. Logo após isso conhecemos o protagonista e visualizamos sua rotina de catador, que após encontrar algo que possa trocar por água e comida, segue seu caminho em um vídeo clipe super para cima, típico dos filmes da sessão da tarde, com o garoto voltando para casa em sua bicicleta cross e ouvindo rock carregado de sintetizadores e teclados em suas fitas cassetes enquanto desvia das cabeças de pessoas desavisadas cravadas em estacas pelo caminho.

     
Vilões e Heróis de Bike
Mas não pára por aí, além da influência musical e visual dos anos oitenta, o filme também traz diversas referências, como a temática frequente de mundo sem água, como no clássico trash "Crepúsculo de Aço" (1987) estrelado por Patrick Swayze e falta de combustível, tal qual "Mad Max". Sobre a falta de combustível, o roteiro toma uma decisão totalmente crível, que é , na falta de motores a explosão, todos andam de bicicleta; o que faz sentido e ao mesmo tempo dá um ar cômico a trama, com todo mundo pedalando pra lá e para cá. Já no tocante a falta de água, a história toma contornos mais mórbidos, apresentando uma máquina que transforma pessoas em água pura, que é o que Zeus o vilão está fazendo e para tal
capturou Apple, assim como Frederic, o chefe da Gang Rival, que se tornará um futuro aliado de Turbo Kid.


      Mas não é só isso ( o Gerente enlouqueceu) mais tarde descobrimos que o que levou a destruição da sociedade é mais um clichê dos tempos dos permanentes e roupas multi coloridas, que são ... os robôs! Sim, meus amigos, quem destruiu o mundo como conhecemos, foram os seres mecânicos  revoltados, em uma homenagem nada discreta ao "Exterminador do futuro", com a vantagem de que nesse mundo alguns robôs ficaram de boa com as pessoas e até se apaixonam por elas (ops!)

     
Melhor Arlequina
No entanto, sem só de referência vive esse filme, ele também influenciou outra trama, ainda mais trash que ele mesmo. Sim senhores, Turbo Kid também é cultura e com a personagem da Apple, deu base a outra personagem também empolgada e insana, mas que diferente da original canadense,
alcançou muito mais sucesso (embora seu filme seja muito pior), trata-se da Arlequina de "Esquadrão suicida", que até hoje brilha nos coraçõezinhos dos DCnautas, sem que muitos desses saibam que um anos antes, em um filme com um décimo do orçamento, uma atriz desempenhava exatamente o mesmo papel E O MUNDO PRECISA SABER DISSO!!!


      Além de tudo, o filme tem uma sequência final de combate que mistura comédia pastelão, violência em excesso e sangue sem fim, que me fizeram aplaudir de pé sem saber exatamente por qual das razões.

        
      Pois então, "Turbo kid" está lá, flutuando tranquilamente entre outros diversos títulos naquele bendito serviço de streaming; discreto e impassível, mas certeza de diversão garantida. Um filme que mostra que não é preciso gastar malas e mais malas de dinheiro em um filme para que ele seja divertido e nem atola-lo em efeitos especiais para chamar a atenção, basta uma boa ideia e alguns atores desconhecidos para aceitar o trabalho. Um filme que caminha entre o cômico e o Gore, mas abraça com força os clichês da década de 1980 sobre o apocalipse e que me arrancou muitas risadas nesse meu mês tão sombrio.