quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

DEADPOOL (filme 2016)

A vida é um eterno descarrilhamento intercalada por alguns momentos felizes. Essa frase, proferida por Wade Wilson para explicar sua situação, talvez seja a que melhor se enquadre no universo super-heroico que a FOX criou, onde encontramos descarrilhamentos terríveis no nível de "X-men Origens: Wolverine", "X-men: o Confronto final" e os horríveis "quarteto fantástico", mas também grandes momentos felizes, como "X-men: dias de um futuro esquecido" e o maravilhoso e zueiro filme onde Wilson é o protagonista, "Deadpool", que abriu a safra 2016 de filmes de super-heróis (super sim, mas herói nunca) com chave, ou melhor espada de ouro.

O filme é bem fiel aos quadrinhos e seu roteiro central é bem simples, contando a história de Wilson, um ex-militar fanfarrão e tagarela, que trabalha como mercenário e descobre que está com câncer terminal logo após pedir a mulher de seus sonhos em casamento, como último recurso para se salvar ele acaba por aceitar o recrutamento de um grupo misterioso que promete mais do que lhe curar como lhe dar poderes sobre humanos.
Assim Wilson é submetido a experiências para que suas células mutantes se desenvolvam, passando pelas mais diversas forma de tortura para intensificar o processo que é catalisado pela e adrenalina (coisa que nos quadrinhos acabou por prejudicando sua sanidade, sanidade essa que no filme parece ser distorcida de forma inata no personagem), as experiências são um sucesso e o protagonista desenvolve um fator de cura ainda mais eficiente do que o do Wolverine, o tornando virtualmente imortal, sendo capaz desde cicatrização instantânea como crescimento de membros perdidos, no entanto, como efeito colateral, seu rosto e corpo ficam deformados.
Após visualizar o resultado das experiências e ficar ciente de que na verdade o interesse dessa organização é a criação de armas de guerra mutantes e que seu futuro é se tornar um escravo, Wade destrói as instalações de seus "salvadores" e parte na busca do responsável pelas experiências , Francis Ajax, para se vingar e obriga-lo a consertar seu rosto.

Que filmaço! Se eu pudesse dizer apenas duas frases sobre " Deadpool" seriam: "Chupa DC" e "Chupa Marvel". Mas por sorte, se pode falar a vontade nesse terreno democrático e pacífico que é a internets, então vamos apontar tudo que há de bom e também não tão bom, porque nada chega a ser ruim nesse filmaço, que é uma das grandes surpresas do ano (principalmente por ser da FOX) e que abre a temporada com os dois pés na porta.

Não tem como não começar falando da atuação hilária e brilhante de Ryan Reynolds como o famigerado protagonista, não que ele mereça o Osca, como ele mesmo brinca durante o filme e para quem já viu suas comédias sabe que ele está interpretando ele mesmo, mas é que o filme não funcionaria com outro ator. Reynolds, que foi a figura mais atuante na campanha para a realização do filme é o próprio Wilson das HQ's, insano, tagarela, piadista, cínico, ao mesmo tempo que consegue ser assustador e intimidador (como na cena inicial com o entregador de pizza) e até doce (como no momento em que a médica diz que seu personagem está com câncer e o olhar que fita Vanessa (Morena Baccarin) diz tudo sem precisar que o ator emita um som) , suas piadas dão um ar de invencibilidade ao personagem, mas não retiram a tenção de momentos importantes, como quando sua namorada é sequestrada, o cara tá demais e é assim da cena inicial até a cena pós créditos.

melhor Colossus Ever
Outra coisa boa é a direção. Tim Miller dá um show seguindo a ideia presente desde a demo de animação, que foi usada para apresentar o projeto à FOX, e, principalmente, respeitando a mitologia do personagem, coisa que o terrível filme, já mencionado , "X-men Origens: Wolverine" não teve a decência de fazer. Fui procurar mais sobre o diretor, que achei que já era um veterano no cinema, e descobri que antes desse filme ele havia dirigido apenas um curta de animação em 2004 e sido responsável pelas cenas intergalática de "Avatar" e das cenas de abertura de "Thor: O mundo sombrio". Fiquem de olho nesse cara, se a FOX não se meter no trabalho dele prevejo muita coisa legal vindo por aí.

Não posso deixar de falar dos personagens coadjuvantes. O papel dos X-men no filme são de extrema importância e dando oposição aos métodos do protagonista e sendo base para muita de suas piadas, como quando Colossus fala que Wade tem de conversar com o professor Xavier e ele questiona: "Qual Xavier? Patrick Stewart ou Jame Mcavoy? É que fico confuso com essa linha de tempo" (muito bom!). Falando em Colossus, para mim foi a melhor apresentação dos X-men no cinema, Colossus é lento, forte e totalmente fiel ao discurso de Xavier, fato que rende uma piada no final quanto ao fato de ser herói e o que dizer de Negasonic Teenage Warhead ? Que personagem lega! Marrenta, silenciosa, emburrada e quando Colossus diz que ela está em treinamento e depois vemos o uniforme dos novos mutantes, que fantástico. Os amigos de Wilson também são algo marcante, para começar pelo seu brother Fuinha (que aposta em sua morte) e seu duela de piadas com o protagonista, como no momento de se prepararem para última batalha e ele se despedir dizendo "Eu gostaria muito de ir com você, mas é que eu não quero!",ou quando é ameaçado pelos vilões (todos de preto) e dizer: "querem ajuda para procurar roupas não mono cromáticas" e após eles irem embora se despedir falando "Boa sessão noturna de Blade 2"; O relacionamento entre Wilson e a idosa Al (uma senhora cega com quem ele mora) é outra parada cômica, ela passa os dias montando móveis e falando das saudades dos anos 80 e da Cocaína; cômica também é a amizade que surge entre Deadpool e o taxista Dolpinder e suas trocas de conselhos e, por último, mas não menos importante, temos a gatíssima Morena Baccarin como interesse romântico do protagonista e que representa com vontade a sensualidade da mulher brasileira.


O universo, o contexto e as piadas do filme são a cereja do bolo. Se o filme não for o filme de super-herói do ano, certamente será a melhor comédia. É a primeira vez que vejo toda uma sala de cinema rir do inicio ao fim de um filme. O grande truque para isso é a quantidade gigantesca de referências que o filme traz, como a já citada da linha de tempo dos filmes dos X-men, mas também por brincar com toda cultura pop; quando Deadpool chega na mansão Xavier (sim ele vai lá) e Megasonic atende a porta, ele diz: "Nossa! Vejam é Ripley em Alien 3", ou quando Colossus o captura na ponte e Wade tem de decepar a mão, olha para a câmera e diz : " Alguém assistiu a 127 horas?", ou antes disso, quando ele está atacando a organização na ponte e Colossus o atira longe e ele fala que deu uma merda colossal, mas que há maiores e na sequência aparece um bonequinho do Deadpool do filme do Wolverine (que sacanagem!), dentro desse contexto, a melhor sequência para mim é quando ele conhece Vanessa e vai para os finalmentes, então ela pergunta: "Nossa! Quanto tempo você aquenta?" e ele responde "O ano todo!", a partir daí temos cenas dos dois transando durante todas as datas comemorativas do ano, destaque para a Quaresma (muito boa tirada) e o dia da mulher (péssima botada (hahah)). As cenas de ação são muito bem dirigidas e coreografadas, não fugindo em nada do contexto do filme ou da personalidade do herói personagem. Dentre estas a que achei bacana foi a que fecha a parte de ação do filme, com Colossus lutando com Angel Dust ( um MMA mutante) e Deadpool contra o exército da organização (show!).

Outro fator positivo que deve ser lembrado é a trilha sonora. O filme traz clássicos dos anos 80 muito bem aproveitados e que marcam as cenas quando tocam. É o caso da música "Wham!", que fecha o filme e que procurei no youtube e encontrei dezenas de menções ao filme, ou a música do rapper DMX, que dá o tom da ida do herói e seus companheiros ao confronto final e que põe um sorriso maldoso na cara de quem está assistindo, é "Guardiões da Galáxia" fazendo escola.


Achei Deadpool um Filmaço! Já to ansioso pela sequência, como comentada nas cenas pós créditos, que aliás são duas. Esse filme superou minhas expectativa e me fez acreditar que um filme ótimo dos X-men seja possível, talvez sob a direção de Tim Miller. De qualquer jeito, fica aí meus parabéns e obrigado a produção, assim como minha máxima recomendação a esse filme que trouxe um esforço máximo dos envolvidos e tomou lugar como um dos meus cinco filmes preferidos e super-heróis, um momento feliz em meio esse descarrilhamentos e filmes sem graça que aparecem por aí e que com certeza marcou seu lugar no ano de forma sangrenta, cínica, engraçada e surpreendente.


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